Início Economia Angola soma previsões negativas e consta como o 48º país mais pobre do mundo apesar de ser a 72ª maior economia

Angola soma previsões negativas e consta como o 48º país mais pobre do mundo apesar de ser a 72ª maior economia

por Redação

Com o Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 70 mil milhões USD para 2021, Angola tem a 72ª maior economia do mundo, numa lista de 192 países. Porém, torna-se o 48º país mais pobre, com rendimento por habitante de 2.201 USD, com a oitava maior taxa de inflação e a quarta maior de desemprego, noticiou o Mercado com base no mais recente “World Economic Outlook” (WEO) de Outubro de 2021, do Fundo Monetário Internacional (FMI)

O FMI, com sede em Washington, prevê que o PIB nacional (angolano) em dólares norte-americanos chegue aos 70 mil milhões até ao final deste ano, contra os 66 mil milhões USD, previstos no primeiro World Economic Outlook publicado em Abril de 2021. As estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA) revelam que em 2020 o PIB em dólares caiu 30%, passando de 84,6 mil milhões USD em 2019 para 59,4 mil milhões USD no ano passado.

Os dados do FMI apontam que os Estados Unidos da América (EUA) continuam a liderar o ranking das maiores economias do mundo, com um PIB avaliado em 22,9 biliões USD, mais do que os 22,7 biliões previstos em Abril deste ano. As economias asiáticas vêm logo a seguir, a China que tem a maior população do mundo (1.418 milhões de habitantes) é a segunda maior economia com um PIB de 16,9 biliões USD e o Japão com 5,1 biliões é a terceira. Juntos formam os “big three”.

Os países mais pequenos e com menos população têm o menor PIB. Tuvalu, com cerca de mil habitantes (menos populoso), é a menor economia do mundo, com um PIB na ordem dos 65 milhões USD, seguido do Nauru com 133 milhões e pelo Palau, com 208 milhões USD.

No que respeita à riqueza (medida pelo PIB por habitantes), Angola com uma população estimada em 32 milhões de habitantes e um PIB esperado na ordem dos 70 mil milhões USD para 2021, ocupa a posição 145 do ranking de riqueza, numa lista de 192 países, ou seja, é 48º mais pobre.

No top três das economias ricas, está o Luxemburgo, com um PIB por habitante na ordem dos 131 mil USD, a Irlanda com 102,4 mil USD e a Suíça com 93,5 mil USD, enquanto os mais pobres são liderados pelos países da África Oriental. Sudão do Sul com 230 USD é o mais pobre do mundo, seguido do Burundi e da Somália, com 261 USD e 350 USD, respectivamente.

As estimativas do FMI para 2021 apontam que a economia global vai crescer menos do que o previsto em Julho. A instituição de Washington reviu em baixa as previsões de crescimento económico mundial para este ano, passando-as para 5,9%, quando previa 6,0% em Julho.

O mais recente WEO, revela que a Líbia é a economia que mais vai crescer em 2021, com uma expansão de 123%, seguida do Atlântico Norte, na América do Sul, ambos com crescimento de 20,4%.

As maiores economias do mundo cresceram a um ritmo mais leve. Os Estados Unidos da América (EUA), com 6% ocupa a posição 39, a China com uma expansão de 8%, vai no 17º lugar e o Japão a posição 143, com crescimento de 2,4%, numa lista de 193 países do mundo.

Palau (arquipélago com mais de 500 ilhas, na Oceania), Mianmar (antiga Birmânia localizada no sudeste asiático) e Samoa (grupo ocidental das ilhas Samoa, na Polinésia), com recessões de 19,7%, 17,9% e 7,2%, respectivamente, têm o pior desempenho do mundo.

Já para Angola, o FMI prevê uma contracção na ordem dos 0,7%, que indica para a sexta recessão consecutiva. Com esta previsão, o País consta da lista dos três países da África Subsaariana com recessão económica em 2021 e o único da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com crescimento negativo.

Na África Subsaariana, o Botswana conta com uma expansão da economia na ordem dos 9,2%, seguido das Ilhas Seychelles (6,9%) e do Burkina Faso (6,75%). A República Centro Africana é o país que terá maior recessão, com uma queda de 1%, seguida de Angola, com 0,7% e do CongoBrazzaville com uma contracção de 0,2%.

Já na SADC, todos os países da região crescem em 2021, excepto Angola. Botswana e as Ilhas Seychelles continuam a liderar o ranking das economias que mais irão crescer na comunidade.

Outras instituições também apresentaram recentemente as suas previsões: O governo espera uma recuperação na ordem dos 0,2%; o Banco Mundial reviu em baixa para uma ligeira recuperação na ordem dos 0,4%, contra os 0,5% revistos em Julho; as agências de risco, Fich, S&P e Moody’s esperam crescimento de 0,1%, 0,3% e 2,5%, respectivamente.

O FMI prevê também para Angola uma inflação até ao final do período na ordem de 22%, o que coloca o País na oitava posição das taxas mais altas do mundo, numa lista de 191 países. A Venezuela é o país que vai atingir a maior taxa do mundo até Dezembro de 2021, com uma inflação na ordem dos 2.700%, seguido do Sudão, com 115% e Suriname, com 48,6%.

As Ilhas Marshall com uma inflação de 0,6%, tem a menor inflação do mundo, ao lado de Brunei (0,7%) e Japão (0,7%). Já São Cristóvão e Névis, Macau, apresentam, respectivamente, inflação negativa (deflação), com -0,8% e -0,3%.

A nível de África, o FMI prevê que o Zimbabué vai registar a maior taxa até final deste ano, com uma inflação de 45%, depois a Zâmbia com 23,2% e Angola (22%).

As expectativas do FMI estão abaixo das últimas previsões do Banco Nacional de Angola (BNA). O governador do banco central, José de Lima Massano, anunciou a 30 de Setembro, na 101ª reunião ordinária do Comité de Política Monetária (CPM) que a inflação poderá atingir os 27% até ao final deste ano, havendo diminuição apenas a partir de 2022.

Para 2021, o Executivo definiu no Orçamento Geral do Estado (OGE) uma meta de 18,7%, objectivo que muitos estudiosos consideravam “optimista demai”. Em Março deste ano, José de Lima Massano já havia anunciado uma revisão da meta de inflação.

Em Maio, o BNA reviu em alta a meta para 19,5%. O governador atribuiu a escalada da inflação ao aumento dos preços nos mercados internacionais e à manutenção dos factores que determinam o comportamento dos preços no mercado interno, os quais, disse, apesar do quadro de estabilidade cambial, apontam para a continuação de pressões inflacionistas no curto prazo.

Tudo indica que os preços vão mesmo aumentar. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em Setembro, a nível nacional os preços aceleraram 0,05 pontos percentuais (pp) ao registar um aumento de 2,2% em termos mensais, pois é preciso recuar até Setembro de 2018 para encontrar um registo tão elevado, a taxa acumulada foi de 19,4% e a anual registou um aumento de 26,6%.

Já em Luanda, a inflação está fora do controlo. O ritmo de aumento dos preços na capital do País descolou da nacional a partir de Dezembro de 2020, tendo aumentado 30,2% em Setembro de 2021. Em termos mensais os preços em Luanda aumentaram 2,3%, elevando a taxa acumulada para 22,3% e a inflação anual para 30,2%.

No que respeita ao desemprego, a Tailândia é o país que tem a menor taxa do mundo, com 1,5% da população, seguida do Vietname com 2,7% e de Singapura com 2,7%.

Já as economias africanas têm os maiores desempregos do mundo. A África do Sul tem o maior desemprego com uma taxa de 33,5% da população activa, seguida da Namíbia, Nigéria e Angola, com desempregos na ordem dos 33,4%, 33,3% e 31,6%, respectivamente, de acordo com os respectivos institutos nacionais de estatística.

Em termos de dívida pública, com um índice de 256,9% da dívida pública bruta sobre o PIB, o Japão é o mais endividado do mundo, segue-se o Sudão com 209% e a Grécia com 206%. Hong Kong é o menos endividado do mundo com 2,1%.

Note-se que a instituição de Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI), é uma organização internacional criada no mesmo momento em que foi criado o Banco Mundial, em 1944 pela Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos. A sua sede encontra-se em Washington e possui 190 países membros.

A instituição tem como objectivo promover a cooperação monetária internacional, facilitar a expansão e o crescimento equilibrado do comércio internacional, auxiliar no estabelecimento de um sistema multilateral de pagamentos e disponibilizar recursos (com salvaguardas adequadas) para membros que enfrentam dificuldades na balança de pagamentos.

As discussões a respeito dos problemas financeiros das nações e suas possíveis soluções são discutidas todos os meses, e os World Economic Outlook são publicados duas vezes por ano. A Direcção Executiva é composta por 24 representantes. (In Mercado)

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