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Angola cada vez mais endividada

por Redação

Mais financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), emissões de dívida soberana e ajuda externa para financiar as contas públicas durante a crise provocada em Angola pela expansão do novo coronavírus, é o cenário traçado pela consultora Oxford Economics.

Os números da Covid-19 em Angola aumentam todos dias, situação que está a preocupar tanto o Executivo como a sociedade em geral. O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 40 mil. O número de mortes em África soma e segue, principalmente nas últimas semanas.
Para reagir à pandemia, Angola será obrigada a recorrer a investimentos externos e emissões de dívida soberana, prevê a consultora Oxford Economics, que antecipa uma recessão superior a 2%.
“Infelizmente, as autoridades encontram-se numa situação com pouca margem para estimular a economia seja através da política orçamental, seja através da política monetária”, escreveram os analistas numa nota sobre o país.
Na análise, a Oxford Economics afirma que “o Governo vai ter de rever em baixa a despesa orçamental e terá de depender dos fluxos de investimento direto estrangeiro, mais desembolsos do FMI, emissões de Eurobonds e ajuda externa para financiar o défice externo”.
E “para tornar as coisas ainda piores, a pandemia global da Covid-19 e o início das infeções forçou o Governo a impor uma quarentena de 15 dias”, escreve a Oxford Economics, depois de na semana passada a Standard & Poor’s (S&P) ter descido o rating do país, de B- para CCC+, por causa da queda abrupta dos preços do petróleo e do agravamento dos défices externo e orçamental.
A consultora anunciou também que vai rever “drasticamente em baixa” as previsões económicas para Angola, antecipando para este ano uma recessão maior que 2% e um desequilíbrio negativo na balança orçamental e corrente.
“Vamos rever drasticamente em baixa a previsão de crescimento económico e as métricas da dívida, já que esperamos que o crescimento económico registe uma contração de mais de 2% em 2020 e que o saldo orçamental e corrente registe défices, ao invés dos excedentes que prevíamos”, lê-se na análise.
No documento, a Oxford Economics sugere que Angola está a enfrentar uma espécie de tempestade, com a quebra dos preços do petróleo exacerbada pela guerra de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita, a redução drástica do comércio internacional e da procura de petróleo, a que se junta o corte decretado na atividade económica local por via das restrições à mobilidade para conter a propagação do novo coronavírus.
“Enquanto estiver em efeito, o fecho de fronteiras vai ter um efeito adverso significativo, embora talvez temporário no comércio e na atividade económica e vai empurrar os preços para cima devido à escassez”, apontam os analistas.
No texto, os analistas lembraram que “a guerra de preços no petróleo é um golpe devastador para a economia, já que os hidrocarbonetos valem 96% das exportações, cerca de 33% do PIB e 60% da receita governamental”, concluindo que o apoio contemplado no programa de assistência do Fundo Monetário Internacional não vai ser suficiente para “salvar a economia das consequências da guerra de preços”.
Enquanto isso, a ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, reconheceu a dimensão do problema que o país enfrenta, tendo anunciado que ia lançar um orçamento retificativo que contempla o preço do petróleo abaixo dos 35 dólares, face aos 55 previstos para este ano.
Vera Daves admitiu também que a economia dificilmente escapará a mais um ano de crescimento negativo, anunciando igualmente um conjunto de medidas para enfrentar a crise económica. (Com a devida vênia à DW)

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